sábado, 11 de fevereiro de 2017

Superman por Jijé




Em abri de 1938, a editora belga Dupuis lançou a revista Le Journal de Spirou, a série principal era Spirou, personagem criado por Rob-Vel, publicando também séries americanas de Dick Tracy de Chester Gould, Rei da Polícia Montada, ilustrada por Allen Dean, com roteiros de Stephen Slesinger e Romer  Grey, filho do escritor de faroeste Zane Grey, Slesinger havia conseguido a licença para usar o nome do escritor, dando impressão de ser uma criação do mesmo.

Em 1939, a editora começou a publicar Superman por Jerry Siegel e Joe Shuster e Red Ryder, outra série cocriada por  Slesinger  com colaboração do desenhista Fred Harman, devido a semelhança de Red Ryder com Bronc Peeler, outra criação de Harman, ambos tinham o mesmo sidekick, o jovem índio Little Beaver (Filhote de Castor no Brasil), contudo, havia uma diferença, Bronc Peeler era um "cowboy moderno" como o Vigilante da DC Comics e alguns dos filmes estrelados por Gene Autry.

Apesar dessas diferenças temporais, esses personagens eram constantemente confundidos no Brasil, a ponto de ambos serem publicados com o mesmo nome, Bronco Piler, o personagem também foi chamado de Cavaleiro Vermelho e Nevada, esse por sua vez era o nome de um personagem de Grey.



Conforme comentei em outras postagens, os quadrinhos americanos foram proibidos, primeiro na Itália, onde Flash Gordon foi desenhado por Guido Fantoni e depois na Bélgica, onde foi desenhado por Edgar P. Jacobs, coube a Joseph Gillain, mais conhecido Jijé (1914-1980), dar continuidade a Superman (chamado de Marc, Hercule moderne) e a Red Ryder (Cavalier Rouge), Jijé trabalhou com Superman entre 1939 e 1945 e Red Ryder em 1940.

Joseph Goebbels, ministro de propaganda do partido nazista acusava o Superman de ser judeu, o fato é que foi criado por dois judeus, em 1941, começaram a surgir personagens criados como resposta ao nazismo, como o Capitão América, também criado por judeus.


Paralelo a isso, Jijé trabalhava em Spirou, uma vez que Rob-Vel que havia sido convocado para a guerra, o artista retornaria em 1941, contudo, em 1943, a série seria comprada pela editora, que chamou novamente Jijé para trabalhar na série.


Jijé, inspirado em Milton Caniff, criou "escola de Marcinelle" ou "estilo atômico", um estilo que concorria com a linha clara de Hergé e Edgar P. Jacobs, Jijé teve que seguir o estilo de Shuster em Superman, que se assemelhava ao estilo cartunesco de Roy Crane, criador de Captain Easy, Soldier of Fortune (Capitão Cesar no Brasil), série de aventura que surgiu como a serie de humor, Wash Tubbs e Buz Swayer (Jim Gordon no Brasil).





Links

Joseph Gillain (Jijé) dans le journal de Spirou

Grandes personagens dos quadrinhos – Spirou e Fantasio

Quadrinhista belga ganha museu

Superman - Publication en France

Matérias sobre Spirou no site Tu Já Viu


A importância da linha clara e do estilo atômico

Revista Spirou celebra 75 anos

Exposição “Centenário De Jijé – Mestre De Banda Desenhada”, De 29 De Maio A 11 De Julho, na Bedeteca da Amadora

French Collection #27

Joe Shuster

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Betty Boop por Shigeru Sugiura


Criada por Max Fleischer e Grim Natvick, Betty Boop surgiu em animações em 1930 na série Talkartoon do Fleischer Studios.

 Betty foi muito popular no Japão e aparecia em cartões menko e mangás, obviamente não oficiais, é o caso dessa página por Shigeru Sugiura de 1935, o sucesso da personagem chegou aos ouvidos do estúdio, foi quando produziram o curta A Language All My Own, onde Betty viaja ao Japão e vestida com um kimono, canta uma canção em japonês.







Em diversos livros é dito que Betty Boop teria inspirado os olhos grandes dos personagens dos mangás, a comparação mais comum é de Betty com a Princesa Safiri, personagem de Osamu Tezuka, contudo, contudo, Sugiura foi assistente de Suihō Tagawa, autor do gato Norakuro (1931-1981), personagem já que possuía olhos grandes.


Tezuka nunca declarou ser fã da personagem, mas era fã do Popeye, personagem das tiras de E. C. Segar que estreou nos cinemas em um curta de Betty Boop produzido em 1933 pelo Fleischer Studios, um outro dado é que Grim Natvick, cocriador de Betty, trabalhou no filme Branca de Neve e os Sete Anões da Disney, nos primeiros concepts, a personagem lembrava Betty, que inclusive havia estrelado um curta como Branca de Neve em 1933, Tezuka era fã da Disney e ilustrou um mangá da Branca de Neve nitidamente influenciado pelo estúdio.


Em 1985, Tezuka produziu o curta Broken Down Film, que tinha um personagem com um corte de cabelo parecido com de Safiri.








Branca de Neve por Natvick

Branca de Neve por Tezuka





Em 2002 foi lançado o livro Collection of Betty Boop Made in Japan de Takashi Yasuno.



Model sheets

Fontes e referências


A época clássica do desenho animado americano

The Bottom of a Bottomless Barrel: Introducing Akahon Manga

Betty Boop in Japan

Betty Boop Parodies & References

Mizuki Shigeru's Manga Surreality

Revealed: Pouting Snow White who looked like Betty Boop

Sugiura Shigeru’s Sense of Humor

Max Fleischer - Lambiek

Shigeru Sugira - Lambiek

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mickey Mouse por Guglielmo Guastaveglia


Como se sabe, a Itália é a maior produtora de quadrinhos Disney pelo mundo, contudo, as primeiras histórias produzidas no país não eram oficiais, as tiras originais estrearam em março de 1930 no Illustrazione del popolo , um suplemento do jornal Gazzetta del Popolo, entre abril e agosto de 1931, o jornal Il Popolo di Roma publicou pranchas de Mickey Mouse por Guglielmo Guastaveglia. Guastaveglia fez crossovers do Mickey e Minnie (chamados de Topolino e Topolina, topolino é um nome dado ao rato doméstico ou camundongo) com Gato Félix (Mio Miao) e usou Kat Nipp (Gatto Nipp), um vilão dos primeiros curtas do Mickey que era usado nas tiras por Floyd Gottfredson, o nome é alusão a catnip, erva do gato, o personagem lembra as primeiras versões de  Peg Le Pete (Bafo no Brasil), porém, Pete estreou em Alice Solves the Puzzle de 1925 da série  Alice Comedies (ou seja três anos antes do próprio Mickey), Kat Nipp estreou num curta do Mickey, The Opry House de 1929.


Mickey contracenando com Minnie, Félix e Kat Nipp

Kat Nipp por Floyd Gottfredson





Possivelmente por problemas com direitos autorais (Félix atualmente pertence a Dreamworks Classics, uma empresa do grupo NBCUniversal), consideram Mio Mao como sendo Julius, um gato parecido com Félix que estreou nos curta da série Little Red Riding Hood de 1922 da série Alice Comedies, sendo um inimigo de Pete, no encadernado Walt Disney's Mickey and the Gang publicado pela Gemstone em 2005, o gato aparece na cor verde. Julius não é o único que se parece com Félix, Ortensia e seu irmão Homer também guardam semelhanças com o gato criado por Otto Mesmer e Pat Sullivan, Ortensia (chamada de Sadie nos projetos originais) era namorada de Oswald the Lucky Rabbit (Coelho Osvaldo), Oswald foi criado em 1927 por Walt Disney e Ub Iweks, contudo, a dupla acabaria perdendo os direitos para a Universal no ano seguinte, sendo até produzido por Walter Lantz, após um tempo, Oswald sofreu um redesign pela equipe de Lantz, Ortensia chegou a ser usada pela Universal, mas foi  chamada de Fanny, nome de uma namorada anterior de Oswald, que também era uma coelha, A dupla teve que criar um novo personagem, surgiu então Mckey Mouse, Homer chegou a aparecer no curta Mickey's Orphans e em tiras de jornal por Floyd Gottfredson, as primeiras tiras do Mickey foram desenhadas por Ub Iwerks com roteiros do próprio Walt Disney, no mesmo ano, após sair do estúdio e fundar uma própria companhia, foi substituído por Win Smith, que também ficou por um curto período,   Gottfredson, ficou de 1930 até 1975 desenhando o personagem. Em 1999, a Universal fez uma nova série do Pica-Pau, o visual antigo Oswald foi usado em licenciamento, mas não apareceu na série de TV, mas chegou a aparecer em quadrinhos. Em 2006, Oswald volta para a Disney, após um acordo pelo contrato do locutor esportivo Al Michaels, que saaiu do ABC Sports da Disney, para o NBC Sports da  NBCUniversal.

Julius em Alice Gets Stung (1925)
                                 

Ortensia

Voltando a Itália, os quadrinhos de Mickey voltariam a ter produção em 1932, com o lançamento da revista Topolino da editora Nerbini, com pranchas por Giove Toppi, contudo, a licença da editora foi considera invalida, a solução foi mudar o nome para Topo Lino na terceira edição, com rato de mesmo nome desenhado por Toppi, na sexta edição, Mickey volta a aparecer no título e na seguinte, publica tiras de Gottfredson e locais por Angelo Burattini e Gaetano Vittelli, em 1935, a revista passa a ser publicada pela Monadori, em 1942, por conta da proibição do regime fascista (que como disse anteriormente, havia proibido a importação de material estrangeiro em 1938) a editora teve que trocar o personagem por Tuffolino, um humano que parecia com o Mickey por Federico Pedrocchi (roteirista de Saturno contro la Terra) e Pier Lorenzo De Vita (que ilustrou Saturnin Farandol, também roteirizado por Pedrocchi, publicado na revista entre 1938 e 1940), a revista publicou outros materiais e foi cancelada em 1943, voltando com a ser publicada em 1945, com o fim da Segunda Guerra, pode publicar os personagens Disney, em 1949, a Monadori cancela a revista no formato tabloide e relança com um novo formato, com a escassez de papel, a editora optou por publicar no mesmo formato da revista Reader's Digest, que também foi publicada pela editora, o formato é conhecido como "digest size, para fins de registro as duas são divididas em "Topolino giornale e Topolino libreto.

No Brasil foi introduzido na revista O Pato Donald #22 (1952), sendo conhecido como formato pato e logo depois como formatinho.






Links


Il Gatto Nip di Guasataveglia


Il Popolo di Roma - Inducks


Gioave Topp - Papersera


Mio Miao/Julius- Inducks

Topolino (giornale) - Inducks

Topolino (libreto)- Inducks

Homer - Inducks

Julius the Cat - Wikipedia

Guglielmo Guastaveglia - Lambiek

Inkblot Cartoon Style - Tv Tropes


Zé Carioca e as lendas urbanas


80 anos de quadrinhos Disney
Gato Félix, Carlito, Mickey, O Gordo e o Magro por J. Carlos


domingo, 15 de janeiro de 2017

Os quadrinhos mexicanos de Conan


Conan, o bárbaro é o personagem de uma série literária criada pelo escritor americano Robert E. Howard e publicado entre 1932 e 1936 na revista pulp Wierd Tales, como se sabe, em 1970, a Marvel inciou a publicação de uma adaptação em quadrinhos, com roteiros de Roy Thomas e desenhos de Barry Windsor-Smith,, John Buscema, Ernie Chan, Alfredo Alcala, entre outros, o que pouca gente sabe, é que o personagem havia tido quadrinhos não-oficiais no México nas décadas de 1950 e 1960.


Em 1952, a revista Contos de Abuelito (uma revista no formato 14 x 11 e em preto e branco) iniciou em sua oitava edição, uma quadrinização do conto Queen of Black Coast, escrita por  Loa Rodriguez e Victor Rodriguez com desenhos de Salvador Hermoso Lavalle e capa de Hecky (Héctor Gutiérrez),  adaptação foi publicada até a edição 12, na edição 14, a revista continuou a publicar a história. a série foi publicada junto com a séries Kunga la diosa de oro (uma garota das selvas parecida com a Sheena) e La Aranhã (baseada no personagem dos pulps) até a penúltima edição (#60), publicada em 1953.

Em 1958, a série retorna em revista solo pela Ediciones Mexicanas Asocidas, a revista é publicada até o ano seguinte e dura 11 edições, entre 1965 e 1966, é publicada pela Ediciones Joma, totalizando 53 edições.



A série tomava algumas liberdades na história e na retratação dos personagens, Conan por exemplo é loiro e usa um capacete com chifres (um ornamente erroneamente associado com os vikings graças a ópera O Anel de Nibelungo). Na história, Conan é um mero coadjuvante, a personagem principal é Bêlit, a rainha pirata do título, o protagonismo de Bêlit na série antecede a criação da personagem Red Sonja, que ao contrário do que muitos pensam, não foi criada por Robert E. Howard, a criação da personagem é creditada a Roy Thomas e Barry Windsor Smith, vagamente baseada em Red Sonya of Rogantino, personagem do conto Shadow of Vulture de Howard, que se passa no século XVI, nos pulps, o pioneirismo é atribuído a Jirel of Joiry, personagem da escritora C. L. Moore.


Adaptação de O anel de Nibelungo publicada na revista O Tico-Tico#2033 (abril de 1955), autor não-creditado.

Embora seja anterior a série da Marvel, La reina de la Costa Negra não é a primeira HQ do gênero sword and sorcery (espada e feitiçaria ou espada e magia), uma série apontada como pioneira é a conanesca Crom the Barbarian de Gardner Fox, lançada em 1950 pela editora Avon Comics, Fox pegou o nome da divindade criada por Howard e adicionou no seu bárbaro, a série foi publicada em Out of This World #1-2 e Strange Worlds #1-2, contudo, há quem diga que séries anteriores já possuíam elementos que podem ser associados com o gênero, como Príncipe Valente de Hal Foster, Fox escreveu para a revista Weird Tales nos anos 70 e contribuiu com o gênero nos anos seguintes, entre 969 e 1970, publicou a série do bárbaro Kothar, uma história de Kothar, Kothar and the Conjurer's Curse, foi adaptada como HQ de Conan em Conan the Barbarian #46 (1975), escrita por Roy Thomas com desenhos de John Buscema, Joe Sinnott, Dan Adkins e Dick Giordano, na Marvel, Fox também é creditado em uma história de Thongor of Lemuria publicada nas edições 2 e 27 da revista Creatures on the Loose (1973-1974). Thongor foi outro bárbaro conanesco (com elementos de John Carter de Marte) criado por Lin Carter em 1966, posteriormente, Carter e L. Sprague de Camp daria continuidade as histórias de Conan nos livros da Ace Books, curiosamente, Roy Thomas chegou a cogitar publicar Thongor ao invés de Conan, Thongor acabou sendo publicado após o sucesso de Conan. a revista  ainda publicou Kull of Atlantis (que originalmente era um protótipo de Conan, tornando-se um ancestral) e Gullivar Jones, um personagem que antecede John Carter no gênero sword and planet, John Carter seria publicado pela editora em 1977, após conseguir a licença de Tarzan, a editora pode explorar também outras criações de Burroughs. outras séries Fox no gênero são Kyrik (1975) e Niall of the Far Travels (1976-1981) para a revista Dragon da TSR, a  mesma que lançou o RPG de mesa Dungeons and Dragons,não por acaso, as histórias de Howard, Fox, Lin Carter, Burroughs, de Camp, entre outros escritores de fantasia e ficção científica foram citadas por Gary Gygax  (cocriador de D&D) como influências na criação do jogo, na década de 1980, a TSR publicou adaptações de Conan e Red Sonja graças aos filmes.


Em 2014, a Boardman Books publicou Lurid Little Nightmare Makers #2, editada por Matthew Gore, teve histórias de Crom, capas de La Reina de la Costa Negra, contos de Konar the Macedonian (série de contos ilustrados ou text stories publicados pela Quality Comics em 1938), atualmente essas histórias encontram-se em domínio público.



Links

A Rainha da Costa Negra (traduzida)


A Reader's Guide to Sword & Sorcery Comics


A Reader's Guide to Sword & Sorcery D-F


Crom The Barbarian: The First True S&S Comic

Conan [MEX]

Crom, The Barbarian - Public Domain Super Heroes

La Reina de La Costa Negra - Tebeosfera

Thongor - Appendix to the Handbook of the Marvel Universe

Lurid Little Nightmare Makers: Volume Two: Comics from the Golden Age Paperback – May 15, 2014


If You Blinked You Missed: Thongor, Warrior of Lost Lemuria


Conan the Barbarian: First Time in Comic-Book Form!

Lurid Little Nightmare Makers #2 [2nd printing]

A trajetória da imagem de “Conan, o Bárbaro” em mídias diversas: da literatura pulp até os quadrinhos Marvel dos anos 70

Por Crom! Conheça o verdadeiro Conan da Ciméria

Konar the Macedonian

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Flash Gordon por Guido Fantoni



Conforme falei em outro post, a Alemanha nazista dominou a Bélgica e impediu a importação de quadrinhos americanos, dentre eles Flash Gordon de Alex Raymond, que teve histórias por Edgar P. Jacobs, contudo, isso já tinha acontecido na Itália fascista de Mussolini, em  1938, Guido Fantoni teve que ilustrar uma história de Flash Gordon (chamado de Gordon Flasce) na revista da L'Avventuroso, publicada pela Casa Editrici Nerbini.


Uma lenda urbana afirmava que Federico Fellini (1920-1993) havia roteirizado as histórias com desenhos de Giove Toppi, contudo,  isso foi desmentido por Leonardo Gori, que identificou Fantoni como o autor dos desenhos, Fantoni também havia ilustrado história dois outros heróis da King Features Syndicate: Mandrake e Fantasma, ambos criados por Lee Falk.


Para Gori, os roteiros eram diferentes dos outros trabalhos de Fellini, fã de quadrinhos, Fellini havia trabalhado com cartuns e quadrinhos antes da Segunda Guerra, ele também colaborava com roteiros de rádio e cinema, com o fim da Guerra, passou a trabalhar exclusivamente com cinema, contudo, manteve a influência dos quadrinhos em seus trabalhos, tendo inclusive elaborado storyboards de seus filmes, storyboard é um tipo de arte sequencial usada como guia para as cenas de filmes, muitos quadrinistas acabam trabalhando com storyboard por conta da experiência em quadrinhos. O produtor Dino De Laurentiis chegou a convidar Fellini para dirigir a adaptação de Flash Gordon, mas Fellini recusou, embora fosse um fã de quadrinhos, o cineasta não gostava de adaptações para outras mídias. Fellini voltaria a trabalhar com quadrinhos em parceria com Milo Manara, que produziu duas HQs baseadas em roteiros nunca filmados: Viaggio a Tulun, publicada em 1989 na revista Corto Maltese, baseado em um roteiro de Fellini publicado em seis partes no jornal italiano Corriere della Sera, e "Il viaggio di G. Mastorna", publicada em 1992 na revista Il Grifo, esse último foi produzido através de rafes ou breakdowns, uma espécie de storyboard usado pelos desenhistas para seguir exatamente o que roteirista gostaria de usar na história, mantendo a narrativa elaborada pelo mesmo.


O sucesso da série fez com que a Arnoldo Mondadori Editore, editora que assumiu a revista Topolino (revista do Mickey Mouse)  em 1935 (revista lançada originalmente pela Nerbini em 1932) encomendasse a série Saturno contro la Terra (1936-1946), escrita por Federico Pedrocchi e ilustrada por Giovanni Scolari.


Links

Guido Fantoni - Lambiek

Comic Book Legends Revealed #403

Milo Manara & Federico Fellini: Stories Without End

Desenhos de Fellini ganham animaçao em curta
75 anni fa L'Avventuroso


The Weirdest Things You Never Knew About the Making Of Flash Gordon


Federico Fellini - Lambiek

sábado, 7 de janeiro de 2017

Captain Marvel, Jr. por Uderzo


Conforme comentei na última postagem, Flash Gordon teve uma história produzida por Edgar P. Jacobs para a revista belga Bravo em 1942, em  1950, a mesma revista faria o mesmo com o Capitão Marvel Jr. pelo francês Albert Uderzo, não se sabe ao certo o motivo, uma vez que a Segunda Guerra Mundial acabou em 1945 e a Bélgica não estava mais em poder dos nazistas, Uderzo ilustrou 26 páginas publicadas semanalmente no jornal, que foi encerrado em 1951. O Capitão Marvel, Jr. foi criado por France Herron e Mac Raboy, em 1946, Raboy se tornou ilustrador de Flash Gordon. A Família Marvel foi bastante popular durante a Era de Ouro, sendo os principais concorrentes de Superman e cia, os personagens foram descontinuados em 1953 por um processo movido pela National (atual DC), que alegava que o conceito do Capitão Marvel era cópia do Superman, no Brasil, os personagens continuaram tendo histórias locais nas revistas publicadas no jornal O Globo e RGE, no Reino Unido, Mick Anglo foi contrato para criar personagens substitutos, surgia então, o Marvelman, que também integrava uma família, curiosamente, a RGE publicaria Marvelman com nome de Jack Marvel junto com a Família Marvel.

Em 1951, Uderzo conheceria René Goscinny, em 1958, a dupla começou a publicar Oumpah-Pah na revista belga Tintin, no ano seguinte, lançam sua série mais famosa, Astérix na revista francesa Pilote, embora tenha um estilo cartunesco, Uderzo não é considerado um expoente da linha clara desenvolvida por Hergé, seu estilo funcionou na série, uma vez C.C. Beck, cocriador do Capitão Marvel (atualmente conhecido como Shazam) também possuía um estilo cartunesco, sendo comparado a Hergé. Outro artista cartunesco muito influente foi o americano Milton Caniff de Terry e os Piratas, que influenciou o artista belga Jijé, artista que criou a chamada "escola de Marcinelle" ou "estilo atômico", um estilo que concorria com a linha clara. Curiosamente, por causa da proibição dos nazistas, Jijé desenhou Superman, seguindo o estilo e Joe Shuster.

Prancha original de Albert Uderzo

Model sheet por Mac Raboy

Capitão Marvel e C.C. Beck pelo próprio C.C. Beck





Links

Bravo!

Capitaine Marvel Jr - Comic Book Plus (scans)
Os super-heróis de Uderzo

Prancha original

Outra prancha original

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Flash Gordon por Edgar P. Jacobs


Em 1942, com a ocupação da Bélgica pelos nazistas, a publicação das pranchas dominicais de Flash Gordon (chamado de Gordon l'Intrepide) de Alex Raymond foi interrompida na revista Bravo, a solução adotada pelo periódico foi encomendar o termino da história para Edgar P. Jacobs (1904-1987), Jacobs fez apenas cinco pranchas, quando pararam de publicar a série. Anos antes, em 1938, isso havia acontecido na Itália fascista, onde Guido Fantoni ilustrou histórias de Flash Gordon, Fantasma e Mandrake.

Curiosamente, Jijé também ilustrou Superman para a revista Spirou pela mesma razão.

No ano seguinte, iniciou uma nova série Le Rayon U, nitidamente inspirada em Flash Gordon, com personagem bastante parecidos fisicamente com os da série americana  (tal qual aconteceu com a história brasileira do Mandrake), mas como uma trama diferente, mostrando uma expedição científica em busca de um mineral raro por habitantes de um planeta distante, basta lembrar que George Lucas criou Star Wars depois de não pode dirigir um filme sobre Flash Gordon. Posteriormente, Jacobs trabalharia com Hergé em Tintin, adotando o estilo "linha clara", cuja criação é atribuída a Hergé, que teve George McManus de Bringing Up Father/Pafúncio e Marocas como uma de suas inspirações. Em 1946, Jacobs criou sua série mais famosa, Blake et Mortimer para a revista Tintin.








Links

Desenhos animados do gênero sword and planet - parte 1

Bravo!

Le tre vite di Bravo


Blake y Mortimer:La edad de oro de la línea clara

A corrida ao urádio

O raio U: uma história de todas as aventuras

Reused Character Design - TV Tropes

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Lanterna Verde por Gedeone Malagola

História descoberta por Ranieri Andrade do Museu dos Gibis, história do Lanterna Verde produzida por Gedeone Malagola para a DC Comics, a história foi recusada, mas o autor enviou uma cópia ao fanzineiro Valdir de Amorim Dâmaso (falecido em novembro 2014), famoso pelos fanzines de seu selo Gibizada, o roteiro foi ilustrado pelo próprio Malagola, podendo servir como uma espécie de storyboard.

Como se sabe, Malagola criou seu herói Raio Negro inspirado na origem do Lanterna Verde da Era de Prata, Hal Jordan e no visor usado pelo vilão Slits da tira Terry e os Piratas de Milton Caniff, segundo ele:

“Aí, Jayme Cortez, excelente capista e péssimo diretor de arte, entregou-me um maço de quadrinhos do Lanterna Verde, Adam Strange e outros. ‘Olhe, Gedeone, faça uma cópia do Lanterna verde e do Flash. Quero um herói nessa base’, disse ele. Eu respondi: ‘Não vai dar galho isso?’ ‘Dá nada, jamais esses heróis serão lançados no Brasil. Faça algo rápido!’ foi a resposta de Cortez.” Fonte: revista Mundos Super-Heróis #5 (2007)


Raio Negro por Adauto Silva





Terry and the Pirates Comics #26, Harvey Comics
(Abril 1951), arte de Lee Elias (ex-assistente de Caniff) 




A seguir, a história em inglês






























Links


Heróis do Espaço... Homens do Espaço!

Entrevista a Oscar C. Kern

Fanzine - QI #140 - Raio Negro por Edgard Guimarães

A descoberta da verdadeira origem do Lanterna Verde