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Flash Gordon por Guido Fantoni



Conforme falei em outro post, a Alemanha nazista dominou a Bélgica e impediu a importação de quadrinhos americanos, dentre eles Flash Gordon de Alex Raymond, que teve histórias por Edgar P. Jacobs, contudo, isso já tinha acontecido na Itália fascista de Mussolini, em  1938, Guido Fantoni teve que ilustrar uma história de Flash Gordon (chamado de Gordon Flasce) na revista da L'Avventuroso, publicada pela Casa Editrici Nerbini.


Uma lenda urbana afirmava que Federico Fellini (1920-1993) havia roteirizado as histórias com desenhos de Giove Toppi, contudo,  isso foi desmentido por Leonardo Gori, que identificou Fantoni como o autor dos desenhos, Fantoni também havia ilustrado história dois outros heróis da King Features Syndicate: Mandrake e Fantasma, ambos criados por Lee Falk.


Para Gori, os roteiros eram diferentes dos outros trabalhos de Fellini, fã de quadrinhos, Fellini havia trabalhado com cartuns e quadrinhos antes da Segunda Guerra, ele também colaborava com roteiros de rádio e cinema, com o fim da Guerra, passou a trabalhar exclusivamente com cinema, contudo, manteve a influência dos quadrinhos em seus trabalhos, tendo inclusive elaborado storyboards de seus filmes, storyboard é um tipo de arte sequencial usada como guia para as cenas de filmes, muitos quadrinistas acabam trabalhando com storyboard por conta da experiência em quadrinhos. O produtor Dino De Laurentiis chegou a convidar Fellini para dirigir a adaptação de Flash Gordon, mas Fellini recusou, embora fosse um fã de quadrinhos, o cineasta não gostava de adaptações para outras mídias. Fellini voltaria a trabalhar com quadrinhos em parceria com Milo Manara, que produziu duas HQs baseadas em roteiros nunca filmados: Viaggio a Tulun, publicada em 1989 na revista Corto Maltese, baseado em um roteiro de Fellini publicado em seis partes no jornal italiano Corriere della Sera, e "Il viaggio di G. Mastorna", publicada em 1992 na revista Il Grifo, esse último foi produzido através de rafes ou breakdowns, uma espécie de storyboard usado pelos desenhistas para seguir exatamente o que roteirista gostaria de usar na história, mantendo a narrativa elaborada pelo mesmo.


O sucesso da série fez com que a Arnoldo Mondadori Editore, editora que assumiu a revista Topolino (revista do Mickey Mouse)  em 1935 (revista lançada originalmente pela Nerbini em 1932) encomendasse a série Saturno contro la Terra (1936-1946), escrita por Federico Pedrocchi e ilustrada por Giovanni Scolari.


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